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Civilidade é um dos temas tratados desde alguns séculos. Tudo o que se disse, porém, sobre a necessidade de convenções sociais para promover a boa convivência e administrar conflitos permanece de urgente contemporaneidade.
Schopenhauer, o gigante da filosofia alemã do século XIX, dizia que as pessoas deviam ter comportamento de porco-espinho – se fica muito perto de seus pares, morre espetado; se fica muito longe, morre de frio. Thomas Hobbes, um dos gênios do pensamento político produzidos pela Inglaterra, constatou no século XVII que, em estado natural, sem as construções sociais, "a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta". Por isso, emergem leis necessárias, entre as quais que "os homens cumpram os pactos que celebrarem" e "não declarem ódio ou desprezo pelo outro por palavras, atitudes ou gestos".
Um dos maiores especialistas do mundo no estudo da civilidade, o italiano Piero Massimo Forni, acredita que as boas maneiras, além de não serem apenas coisa de um passado mítico de galanteria, ainda ficaram mais importantes na vida contemporânea. "Até umas três gerações atrás, boa parte da sustentação emocional e material das pessoas vinha dos familiares. Hoje convivemos muito mais com amigos e desconhecidos, e, nesse caso, ser afável é uma vantagem", explica.
Houve um tempo em que tudo girava em torno dela: ter honra – uma das virtudes da civilidade − era ser um legítimo membro da tribo; não ter, preferível morrer. O conceito de honra, na sua interpretação mais tradicional, nasceu na Grécia antiga, foi remodelado em Roma e reemergiu na Idade Média. "Na época feudal a honra era uma qualidade atribuída aos nobres, essencialmente guerreiros, cuja função social era proteger o rei, as crianças e as mulheres", diz Roberto Romano, professor de ética e filosofia da Unicamp. Hoje, a honradez pode ser mais relacionada à fidelidade aos próprios princípios ou ao próprio eu.
(Juliana Linhares. Veja, 4 de novembro de 2009, pp. 109-111, com adaptações)
Considere as afirmativas abaixo.
I. Hoje convivemos muito mais com amigos e desconhecidos, e, nesse caso, ser afável é uma vantagem (linhas 24 a 26). Se o período for iniciado por "Ser afável é uma vantagem", estará correto iniciar o segundo termo por "em que pese".
II. No período as boas maneiras, além de não serem apenas coisa de um passado mítico de galanteria, ainda ficaram mais importantes na vida contemporânea (linhas 20 a 22), as orações articulam-se com sentido de adição.
III. A oração subordinada ser afável (linha 26) tem valor de substantivo, e pode ser corretamente substituída por a afabilidade.
Está correto o que se afirma APENAS em