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A escalada de feminicídios e casos de violência contra a mulher no Brasil coloca em evidência a centralidade da misoginia na organização da vida social e a forma como a internet tem servido como catalisadora de discursos e práticas antife-mininas. Esses episódios não são exceções, mas expressões de uma estrutura que articula cultura, política, redes sociais e relações cotidianas, produzindo condições para que a violência de gênero se reproduza e se intensifique.
O movimento redpill* não é apenas um conjunto de opiniões controversas sobre relações amorosas; ele constitui um aparato ideológico estruturado. Estes grupos funcionam como ambientes de radicalização afetiva e cognitiva, nos quais homens são incentivados a interpretar mulheres como manipuladoras, interesseiras ou inimigas em potencial. Nesse contexto, influenciadores redpill não apenas consomem esse discurso — eles o propagam, performam e monetizam. Essa posição de referência dentro da comunidade exige que reafirmem continuamente valores como autoridade masculina, desprezo por mulheres “independentes” e defesa da disciplina emocional pela via da frieza ou da intimidação.
O movimento sustenta que os homens foram supostamente ‘despojados’ de sua posição natural de poder na sociedade. Essa narrativa produz a masculinidade ressentida: homens que transformam frustração, insegurança e perda de controle em hostilidade direcionada às mulheres. A socióloga brasileira Eva Blay, pioneira nos estudos sobre feminicídio, sublinha que o assassinato de mulheres não decorre de explosões súbitas, mas de trajetórias de controle e disciplinamento dos corpos femininos. A internet amplifica essas trajetórias ao estruturar comunidades que reforçam narrativas de posse, ciúme e vigilância. Assim, o ambiente digital funciona como terreno de incubação, enquanto o mundo físico se torna o espaço em que essas violências são executadas.
Conforme as informações do texto, pode-se afirmar que o movimento redpill