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Se deixada livre, criança comerá algo de que gosta até passar mal
Está bem difícil para nós, adultos, ter nossa boca sob controle. Justo nós, que deveríamos ter bem desenvolvido – e usar sempre – o mecanismo de autorregulação, ou seja, a capacidade de conter um forte impulso, seja ele qual for. E as crianças, o que têm aprendido conosco?
Nos primeiros cinco anos de vida das crianças, percebemos com clareza que elas não conseguem, ainda, resistir a um impulso, e este nem precisa ser dos mais fortes. É por isso que elas fazem birra, batem, mordem, fazem o que sabem que não poderiam fazer, por exemplo. É aos poucos que a criança aprende a conter impulsos que são socialmente inadequados ou que a prejudicam.
A criança não é capaz de sentir que está saciada, por exemplo. Se ela gosta de comer um alimento e for deixada livre para comer a quantidade que quiser, comerá até passar mal.
As crianças têm percebido que não tem sido importante, para nós, o ensinamento do autocontrole. Aliás, elas percebem com muita sagacidade que nós mesmos não nos importamos em usar essa capacidade. E, se nós não a usamos cotidianamente, por que haveriam elas de usar?
Para ensinar o autocontrole aos filhos é preciso esforço, muito esforço pessoal. E parece que esforçar-se é algo que sabemos fazer bem na busca do êxito e do sucesso. Será que gastamos todo nosso potencial nesses itens e ficamos zerados para o esforço e a paciência necessários para tal ensinamento aos mais novos? Aí está uma pergunta que merece nossa reflexão!
A autora sugere que os adultos têm encontrado dificuldade em