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Vírus e espiões
Um cidadão comum, inocente nas manhas da internet, pode ver-se em tantos perigos na rede quanto Chapeuzinho Vermelho na floresta. O mundo está cheio de parentes eletrônicos do Lobo Mau – gente cruel, que se diverte induzindo a abrir os anexos e links que disparam para ter nosso computador invadido por seus vírus e espiões.
E como fazem isso? Enviando uma mensagem do “nosso interesse”. É o banco fulano que precisa “atualizar” nosso acesso ao seu sistema de identificação, ou o banco beltrano que, como se fundiu com o sicrano, precisa “reconfigurar” nosso cadastro. Para isso, diz o texto, basta clicar abaixo e, depois, em “salvar” e “executar”. Quando você acorda e se dá conta de que não é cliente daqueles bancos, é tarde – seus dados bancários já foram.
Outra armadilha é a do “Ministério Público da Justiça” que, no desempenho de suas atribuições etc., com fundamento nos artigos tais, inciso xis da Lei Complementar de 30 de fevereiro de 1993, intima Vossa Senhoria – você, o otário – a comparecer à Procuradoria do Trabalho para participar de audiência relativa ao “procedimento investigatório em epígrafe”. Para saber mais, “clique no link”. Faça isto – e você verá o inciso que o espera.
Mas as campeãs de audiência são as mensagens que começam com “Oiêêê, quanto tempo... Já se esqueceu de tudo? Olha o que eu fiz com as nossas fotos. Não deixe ninguém ver, hein?”, e o convidam a clicar para ver as “fotos”. Você não se lembra de foto nenhuma, mas sabe-se lá? Pois, no que clicou, como diria o presidente Lula, sifu.
O que nos salva e nos impede de abrir essas tentações é o português de quinta com que as mensagens são escritas. Elas são criativas, mas escritas por semianalfabetos, gente ruim de pronome e vírgula.
Ao comentar as mensagens que se dizem do “Ministério Público”, o narrador aponta uma forma de tratamento pessoal característica desse meio: