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A Copa do Mundo, a Olimpíada e as “cidades de exceção”
No dia 8, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, encontraram-se o governador Alberto Goldman, o prefeito Gilberto Kassab e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. A reunião foi para oficializar o estádio a ser erguido em Itaquera, na Zona Leste, pelo Corinthians e pela construtora Odebrecht, como palco da abertura da Copa do Mundo.
Enquanto isso acontecia, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo, iniciava-se um seminário sobre “Impactos urbanos e violações de direitos humanos nos megaeventos esportivos”. O objetivo é discutir os efeitos nocivos que o Mundial e a Olimpíada no Rio de Janeiro em 2016 deverão ter.
“Hoje nós vivemos em uma ‘cidade de exceção’ ”, afirma o professor Carlos Vainer, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) . “Nesta situação, são suspensos os direitos básicos e o município é regulado de acordo com as conveniências localizadas, neste caso pelo mercado”. Vainer afirma que as cidades transformaram-se em um espaço de negócios e não de debate político e democrático. Não se respeitam os direitos dos cidadãos. “A democracia participativa atrapalha os negócios do governo com a iniciativa privada.”
Segundo o professor escocês John Horne, “megaeventos esportivos fazem pouco para os países que os hospedam, no entanto eles são importantes para se descobrir onde está o poder”. O poder está no mercado.
“Fazer campanha contra uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo é a mesma coisa que fazer campanha contra o Papai Noel”, afirma Horne, “porque trata do imaginário lúdico das pessoas”. “Há uma manipulação muito grande nos cidadãos dos municípios que hospedam esses eventos, os impedindo de enxergar de verdade o que está acontecendo com sua cidade. Manipulação feita principalmente pela mídia”, completa Vainer.
Segundo a arquiteta Raquel Rolnik, o menosprezo da parcela mais pobre e marginalizada das cidades é tanto que essa parcela nunca recebeu atenção até os governantes perceberem valor eleitoral nos habitantes das favelas e periferias. Aí surgiram os programas assistenciais, contudo o problema nunca foi resolvido para poder desconfigurá-lo assim que for necessário. E a hora chegou. “Os megaeventos legitimam as ‘cidades de exceção’ ”. Grandes cidades brasileiras como Belo Horizonte e Rio de Janeiro estão vendo pessoas serem despejadas por imposição do Estado sob a alegação de interesse maior para os megaeventos.
“A Olimpíada e a Copa do Mundo são momentos importantes para que pensemos alternativas e evitemos demolir, evitemos desapropriar.”, finaliza Rolnik.
(Bruno Huberman, Carta capital, novembro de 2010. Adaptado)
Sobre o texto, considere as afirmações:
I. os megaeventos podem trazer benefícios à população, quando não realizados na periferia;
II. os megaeventos são definidos a partir de decisões convenientes para o governo e para a iniciativa privada;
III. a população de alguns locais é manipulada para enxergar os megaeventos como benéficos;
IV. os habitantes das favelas e periferias têm valor eleitoral devido aos programas assistenciais.
Está correto apenas o contido em