///
Em meus ensaios, costumo usar um microscópio apontado para os sujinhos escondidos debaixo do tapete. Desta vez, troco-o pelo telescópio, que mostra um Brasil visto de longe, ao largo das imperfeições do cotidiano e dos dignitários do presente. O que revela essa imagem? Faz um século, não éramos quase nada. Um país formado de índios na Idade da Pedra, africanos na Idade do Bronze, e colonizado pela nação mais atrasada da Europa Ocidental. Os dois primeiros não possuíam escrita. Em 1900, Portugal tinha a mesma taxa de alfabetização (15%) que a Europa antes de Gutenberg. Os imigrantes da Europa Central fizeram diferença. Mas não foram tantos assim. Os visitantes descreveram o nosso atraso social. Segundo Darwin, “nossos anfitriões têm maneiras deselegantes e desagradáveis: as pessoas e as casas são imundas”. Para Eschwege, “os mineiros não fazem uma caminhada de meia hora para ver e aprender alguma coisa”. Em 1900, o Rio de Janeiro estava proscrito para estrangeiros, pela sua insalubridade. A esperança de vida andava por volta de 30 anos, a mesma da Europa na Idade Média.
É correto afirmar que o autor