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Na história da sociedade brasileira, as relações de poder tradicionais puseram o trabalho de um lado e a educação escolar de outro, evidenciando um contexto de desigualdade, herdado pela República e ainda não superado, em seus 110 acidentados anos de vigência, embora a consciência da necessidade dessa superação e ações nessa direção venham intensificando-se. O processo de urbanização do país e o de industrialização de sua economia, inseparáveis das relações com o capitalismo global, ao mesmo tempo em que pressionam para a disseminação da educação escolar e sua progressiva extensão e obrigatoriedade, trazem o individualismo e a competição como princípios ideológicos intrínsecos, os quais se conjugam com a desigualdade historicamente produzida, dificultando sua superação.
Neste século XXI, chamado de “o século do conhecimento”, mais e mais saberes, aliados a competências, vão se tornando indispensáveis para uma vida cidadã e para o mundo do trabalho e o acesso ou não a eles promove uma divisão cada vez mais significativa entre as pessoas, interferindo, ativamente, no processo de exclusão, ou inclusão marginal. Articula-se a isso a exacerbação do consumo, própria à lógica da mercadoria que orienta as relações no contexto capitalista. Fica assim desenhado um quadro em que o trabalho, para muitos adolescentes e jovens das classes populares,