///
A história de vida é uma daquelas noções do senso comum que entram de contrabando no universo acadêmico; primeiro, sem tambor nem trompete, pelos etnólogos; depois, mais recentemente, e não sem estrondo, entre os sociólogos. Falar de história de vida é pressupor pelo menos, e isto não é pouco, que a vida é uma história e uma vida é inseparavelmente o conjunto de acontecimentos de uma existência individual concebida como uma história e o relato desta história. O mundo social, que tende a identificar a normalidade com a identidade, entendida como constância de si mesmo de um ser responsável, ou seja, previsível ou, no mínimo, inteligível, à maneira de uma história bem construída, dispõe de todos os tipos de instituições de totalização e de unificação do eu. Os acontecimentos biográficos são definidos como muitos posicionamentos e deslocamentos no espaço social, ou seja, mais precisamente, nos diferentes estados sucessivos da estrutura de distribuição das diferentes espécies de capital envolvidas em dado campo
Com base na leitura do trecho, é correto afirmar que, segundo o autor, o sociólogo, ao estudar biografias, deve