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Molière consagrou-se como dramaturgo com a peça Escola de Mulheres (1662), sucesso de público e alvo da crítica teatral. Ele respondeu aos seus detratores com duas peças: A crítica à Escola de Mulheres e Improviso de Versalhes (1663). Na primeira, os personagens apresentaram as críticas contra o autor que, em cena, rebateu existir apenas uma regra no teatro, a de "agradar o público"; na segunda, a companhia de Molière interpretou a si mesma durante o processo de montagem de uma peça a ser apresentada ao rei Luis XIV. Leia os dois trechos selecionados das peças.
1. MOLIÈRE - Talvez não se exagerasse considerando a comédia mais difícil que a tragédia. Porque, afinal, acho bem mais fácil apoiar-se nos grandes sentimentos, desafiar em versos a Fortuna, acusar o Destino e injuriar os Deuses do que apreender o ridículo dos homens e tornar divertidos no teatro os defeitos humanos.
(A crítica à Escola de Mulheres)
2. MOLIÈRE – (falando aos colegas que estão nos bastidores)
Mas que vem a ser isto, meus senhores e minhas senhoras? Estão a caçoar, com essas demoras? Querem ou não vir ensaiar? Que gente esta! Ó Senhor Brécourt! Senhor Brécourt.
BRÉCOURT – Que diabo quer o senhor? Nenhum de nós sabe o papel; o senhor é que nos quer fazer desesperar, obrigando-nos a representar assim.
MOLIÈRE – Ah! Que animais difíceis de governar, os comediantes! (...) Ai estão todos atrapalhados por terem de representar um pedaço de papel! Não sei como estariam se se vissem no meu lugar.
Mlle BÉJART – Ora essa! O senhor é que faz a peça, sabe-a bem de cor: não tem onde se enganar.
MOLIÈRE – Pensam então que eu tenho só a recear a falta de memória? É talvez coisa de nada ter de apresentar uma peça cômica perante uma assembléia como a do rei? O ter de fazer rir pessoas que nos infundem respeito, e que só sorriem quando lhes dá vontade?
(Adaptado de Improviso de Versalhes)
A alternativa que identifica corretamente uma característica do teatro de Molière presente nos trechos citados é: