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Do alto do penhasco, Roy olhou para baixo, para o homem que desenhava na areia. A figura que começou a surgir o impressionou. Era um rosto extraordinário, não retratado de forma realista, mas de maneira que parecia visto de vários ângulos ao mesmo tempo. Na verdade, parecia muito um Picasso. Assim que essa ideia passou por sua cabeça, seu coração parou. Ele levou o binóculo aos olhos, que então teve necessidade de esfregar. O homem na praia era Picasso. O pulso de Roy se acelerou. Ele passava por aquele caminho todo dia e sabia que logo a maré ia subir e lavar um Picasso original autêntico. Ele tinha de fazer algo para salvá-lo. Mas como? Tentar deter o mar era inútil. Também não havia como fazer um molde da areia, mesmo que ele tivesse tempo para isso, coisa que ele não tinha. Talvez conseguisse correr até em casa para buscar sua câmera. Mas isso, no máximo, preservaria um registro da obra, não o próprio quadro. E se ele tentasse fazer isso, quando voltasse, a imagem provavelmente já teria sido apagada pelo oceano. Talvez, então, ele devesse apenas desfrutar aquela imagem particular enquanto ela durasse. Ele ficou ali olhando, sem saber se ria ou chorava.
O primeiro parágrafo deixa explícito que Roy havia reconhecido que o homem na areia era o pintor Picasso.