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Botelho conhecia as faltas de Estela como as palmas das próprias mãos. O Miranda mesmo, que o via em conta de amigo fiel, muitas e muitas vezes lhas confiara em ocasiões desesperadas de desabafo, declarando francamente o quanto no íntimo a desprezava e a razão por que não a punha na rua aos pontapés. E o Botelho dava-lhe toda a razão: entendia também que os sérios interesses comerciais estavam acima de tudo.
— Uma mulher naquelas condições, dizia ele convicto, representa nada menos que o capital, e um capital em caso nenhum a gente despreza! Agora, você o que devia era nunca chegar-se para ela...
— Ora! Explicava o marido. Eu me sirvo dela como quem se serve de uma escarradeira!
O parasita, feliz por ver quanto o amigo aviltava a mulher, concordava em tudo plenamente, dando-lhe um carinhoso abraço de admiração. Mas por outro lado, quando ouvia Estela falar do marido, com infinito desdém e até com asco, ainda mais resplandecia de contente.
Na linha 6, o emprego do pretérito imperfeito nas formas verbais “dava” e “entendia” tem efeitos distintos: no primeiro caso denota iteratividade e, no segundo, duração.