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Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente?
Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde.
Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de qualidade” e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato.
O uso diário que as pessoas fazem da palavra “saúde” contribuiu para que ela perdesse seu valor semântico original, tornando-a uma palavra “tola”.