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Nenhuma ação educativa pode prescindir de uma reflexão sobre o homem e de uma análise sobre suas condições culturais. Não há educação fora das sociedades humanas e não há homens isolados. O homem é um ser de raízes espaçotemporais. De forma que ele é, na expressão feliz de Marcel, um ser “situado e temporalizado”. A instrumentação da educação — algo mais que a simples preparação de quadros técnicos para responder às necessidades de desenvolvimento de uma área — depende da harmonia que se consiga entre a vocação ontológica desse “ser situado e temporalizado” e as condições especiais dessa temporalidade e dessa situacionalidade.
Se a vocação ontológica do homem é a de ser sujeito e não objeto, ele só poderá desenvolvê-la se, refletindo sobre suas condições espaçotemporais, introduzir-se nelas de maneira crítica. Quanto mais for levado a refletir sobre sua situacionalidade, sobre seu enraizamento espaçotemporal, mais “emergirá” dela conscientemente “carregado” de compromisso com sua realidade, da qual, porque é sujeito, não deve ser simples espectador, mas na qual deve intervir cada vez mais.
No último período do texto, o pronome relativo preposicionado “na qual” completa o sentido de “intervir” e retoma o termo “sua realidade”.