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A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão certa profundidade de significado e certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) os itens a seguir.
1 Ao afirmar que a crônica “humaniza” (R.14) e é “uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição” (R.18), o autor demonstra que, de fato, o Prêmio Nobel não poderia ser atribuído a um cronista na categoria de gênero maior, mas, sim, em outra categoria.
2 Ao afirmar que a crônica “fala de perto ao nosso modo de ser mais natural” (R.13-14), o autor indica que as obras de romancistas, dramaturgos e poetas demonstram maior “profundidade de significado” (R.16) e “acabamento de forma” (R.17).
3 No texto, o autor indica que a crônica, apesar de ser um gênero menor, pode proporcionar acesso à literatura considerada de gênero maior, como a representada por romances, peças teatrais e poemas.
4 De acordo com os sentidos produzidos no texto, a expressão “compensação sorrateira” (R.15) deve ser interpretada como compensação desonesta, compensação viciada ou compensação desigual.