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Se a data da abolição marca no Brasil o fim do predomínio agrário, o quadro político instituído no ano seguinte quer responder à conveniência de uma forma adequada à nova composição social. Existe um elo secreto estabelecendo entre esses dois acontecimentos e numerosos outros uma revolução lenta, mas segura e concertada, a única que, rigorosamente, temos experimentado em toda a nossa vida nacional. Processa-se, é certo, sem o grande alarde de algumas convulsões de superfície, que os historiadores exageram frequentemente em seu zelo, minucioso e fácil, de compendiar as transformações exteriores da existência dos povos. Perto dessa revolução, a maioria de nossas agitações do período republicano, como as suas similares das nações da América espanhola, parecem simples desvios na trajetória da vida política legal do Estado comparáveis a essas antigas revoluções palacianas, tão familiares aos conhecedores da história europeia. Houve quem observasse, e talvez com justiça, que tais movimentos, no fundo, têm o mesmo sentido e a mesma utilidade das eleições presidenciais na América do Norte; o abalo por estes produzido não deve ser mais profundo do que o resultante destas. A grande revolução brasileira não é um fato que se registrasse em um instante preciso; é antes um processo demorado que vem durando pelo menos há três quartos de século.
De acordo com o texto, as eleições presidenciais na América do Norte não causaram abalos profundos se comparadas aos movimentos ocorridos no Brasil.