///
Se houve cinco grandes livros sobre o Brasil escritos no século XX, um deles é Raízes do Brasil. [...] Como Casa Grande & Senzala, é um ensaio de grande valor não apenas científico mas literário, que vai buscar as origens do Brasil em Portugal e no latifúndio escravocrata ou na família patriarcal rural. Igualmente, usa de um método dialético para exprimir com riqueza as contradições do objeto que está analisando. Como Freyre, mas com menos ênfase, reconhece o caráter mestiço da formação social brasileira, produto de ampla miscigenação com o índio e o negro. Mas as semelhanças param aí. Enquanto Freyre faz o elogio da colonização portuguesa e do latifúndio escravocrata, e celebra o seu grande êxito, Sérgio Buarque faz a crítica dessa colonização e da sua natureza aventureira e patriarcal; enquanto o primeiro vê no senhor de engenho o grande herói, o segundo o percebe de maneira muito menos lisonjeira; enquanto o sociólogo pernambucano identifica as plantações de cana-de açúcar com as de café, o paulista aceita a identificação para as fazendas do vale do Paraíba, mas não do Oeste Paulista.
O autor do texto estabelece uma comparação entre duas obras, mostrando as semelhanças e diferenças entre essas obras tanto no plano do conteúdo quanto no plano da forma textual.