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O trono sem povo é uma árvore sem raízes, é um edifício sem fundamentos. O vento que soprar mais forte despregará a árvore da terra, e rolará o edifício nas areias. Já se dizia na nossa Constituinte: “O trono não tem uma força própria; a de que goza reside na ideia que dele formam os POVOS”. E o povo, existe ele hoje? Não: o que temos é uma corrente ligeira que todos desviam de seu alvo, e que lambe os pés de todos que dominam. O que temos é uma voz enfraquecida, que se perde no espaço da terra brasileira. Mas um dia essa voz, quase perdida, será um rugido de trovão, e a tempestade abalará os dormentes da caverna. Um dia essa corrente humilde far-se-á rio caudal para arrebatar as insígnias falsas, e arrastar no vórtice das espumas esse rochedo que parece afrontar os ventos da democracia. Por isso desfalecer é um crime. A terra brasileira é a mãe de nobres ideias, o alenta o valor de seus filhos Antêos. (…) Na batalha a bandeira rota é a mais gloriosa, e o fumo que a cresta fala dela ao patriotismo. Ai de nós se o ceticismo nos arrebatasse a esperança porque a alma magnânima do povo não sofreria as ânsias cruéis do cativeiro. Esperemos. Em vez do governo de hoje, em vez do regime pessoal, que as leis criaram, virá o puro governo representativo; em vez da vontade de um só substituída à palavra sincera dos comícios virá a voz da praça pública; em vez do imperialismo, teremos a democracia. Esperemos. A regeneração social será completa. Há um pêndulo que marca as eras das crises nacionais, e o Brasil está em crise.
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto acima, assinale a opção correta.