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Para começar, gostaria que você apenas lesse as palavras abaixo e prestasse atenção ao sentimento ou à emoção que elas imediatamente disparam em você. Trocando em miúdos, como você se sente quando vê as palavras “crédito”, “débito” e “empréstimo”?
Normalmente, a palavra “crédito” dispara em nós sensações positivas, já as outras nos causam certo desconforto, porque imediatamente associamos crédito a ganhos, e débito e empréstimo a perdas.
De acordo com a psicologia econômica, a dor de perder algo é, em média, duas vezes maior que o prazer proporcionado pelo ganho dessa mesma coisa. Quem já perdeu uma nota de R$ 50,00, por exemplo, e já teve a sorte de achar uma sabe bem do que estou falando.
Historicamente, a palavra “crédito” começou a ser utilizada pelas instituições financeiras nos extratos de conta bancária e sempre associada ao sinal “+”, designando depósitos, entradas, ou seja, ganhos.
Já a palavra “débito”, seguida do sinal “–”, corresponde a saídas, retiradas, pagamentos, enfim, a perdas. Além disso, as expressões “saldo credor” e “saldo devedor” contribuem para que a nossa percepção em relação às palavras “crédito” e “débito” seja afetada positivamente no primeiro caso e negativamente no segundo.
Se somarmos a essa associação quase espontânea e imediata outras da mesma natureza, disparadas por termos como “cheque especial”, “financiamento”, “linha de crédito”, “crédito fácil”, talvez consigamos explicar por que muitas pessoas entendem empréstimo como parte de sua renda.
Se pararmos, por um segundo que seja, e interrompermos essa primeira associação, seremos capazes de entender tomada de crédito, financiamento, utilização de cheque especial como tomadas de empréstimo. Tomar um empréstimo significa contrair, assumir uma dívida. E aí a coisa toda muda de figura.
Quando percebemos a utilização de uma linha de crédito, de uma parcelinha que seja do cheque especial, ou de qualquer outra forma de empréstimo, como uma perda, nossa reação é parar para pensar se aquilo é realmente necessário, imprescindível.
Se, mesmo após reflexão, chegarmos à conclusão de que temos de tomar o empréstimo, isto é, de encarar a perda, nosso segundo passo será tentar minimizar essa perda, procurando melhores taxas de juros.
Agora veja que interessante. Quando encaramos a tomada de empréstimo como um ganho, nossa reação é maximizar o nosso ganho e aí podemos até nos empolgar com alguma oferta irresistível e acabar nos endividando além da conta.
Portanto, lembre-se que, ao utilizar linha de crédito, financiamento, parcelamento, cartão de crédito, você, na verdade, contrai uma dívida que deverá ser paga, custe o que custar.
Assinale a opção correta acerca dos sentidos e aspectos estruturais do texto.