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Na literatura, verdade e beleza não se excluem, mas integram-se e completam-se, em uma relação de afinidade. Isso não impede a existência de problemas, como, por exemplo, o das mudanças dos cânones estéticos: cada cultura, cada povo, época e lugar, cada classe social tem uma compreensão diferente da estética ou, ao menos, um protótipo diferente de beleza. Evidentemente, isso não nega certa universalização da estética, mas o problema hermenêutico permanece.
Se a literatura põe a lógica a serviço da beleza, no sentido de que o autor pode mudar a ordem do mundo ou mesmo da linguagem para fazê-la “mais bela”, ela põe também a estética a serviço da verdade: ela declara a verdade pelo belo e através dele. A alternativa beleza/verdade é falsa, pois a obra pode ser bela e verdadeira ao mesmo tempo.
Mantendo-se a correção gramatical e as relações semânticas do texto, seu último período poderia ser assim reescrito: Haja vista que a obra literária pode ser, a um só tempo, bela e verdadeira, a dicotomia beleza/verdade não procede.