///
A espécie humana se diferencia anatômica e fisiologicamente por meio do dimorfismo sexual, mas é falso acreditar que as diferenças de comportamento existentes entre as pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. A antropologia tem demonstrado que muitas atividades atribuídas às mulheres em uma cultura podem ser atribuídas aos homens em outra. O transporte de água para a aldeia é uma atividade feminina no Xingu. Carregar cerca de vinte litros de água sobre a cabeça implica, na verdade, um esforço físico considerável, muito maior do que o necessário para o manejo de um arco, arma de uso exclusivo dos homens. O exército de Israel demonstrou que sua eficiência bélica continua intacta, mesmo depois da maciça admissão de mulheres soldados. A verificação de qualquer sistema de divisão sexual do trabalho mostra que ele é determinado culturalmente, e não em função de uma racionalidade biológica.
Roque de Barros Laraia. Cultura: um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000, p. 19 (com adaptações).
Mantendo-se a correção gramatical do texto, o trecho “Carregar cerca de vinte litros de água sobre a cabeça implica, na verdade, um esforço físico considerável” (R.8-10) poderia ser reescrito da seguinte forma: Para que se carreguem aproximadamente vinte litros d’água na cabeça, requer-se, na realidade, um imenso esforço físico.