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O estilo de colonização brasileira e a formação da população nacional influenciaram certamente a cultura econômica no Brasil, presente ainda hoje. Desde a formação do país, a população esteve subjugada a interesses de minorias oligárquicas, que controlavam o poder, direta ou indiretamente, e eram beneficiadas em detrimento da maioria dos indivíduos. Com diversos períodos de instabilidades políticas e econômicas, a população em geral não adquiriu a cultura da poupança, principalmente em face dos longos períodos de hiperinflação. Nessa época, era preferível consumir a economizar, para minimizar as perdas em função da desvalorização real da moeda. De acordo com dados do IBGE, contidos na Pesquisa de Orçamentos Familiares, pode-se inferir que grande parte das despesas familiares corresponde a gastos com habitação, alimentação e aluguel, que perfazem 80,96% da despesa média mensal familiar. É possível concluir igualmente que parcela considerável da renda dos brasileiros é destinada ao consumo, sobretudo de bens materiais, como eletrodomésticos, equipamentos para o lar, som e TV (2,71%), comparada com o patamar de 0,05% destinado à aquisição de livros e revistas técnicas. O consumo é também evidenciado ao notar-se que 8,76% da despesa são destinados à manutenção e à aquisição de veículos automotores. As instabilidades político-econômicas também podem ser consideradas fatores que explicam tamanho conservadorismo do brasileiro quando o assunto é investimento. Grande parte da população ainda opta por aplicações em caderneta de poupança, tradicional investimento do mercado brasileiro caracterizado pelo baixo risco. No entanto, a rentabilidade auferida pelas cadernetas de poupança pode ser considerada insatisfatória e chega até, muitas vezes, a ficar abaixo da inflação medida em determinado período, o que implica perda de dinheiro em termos reais.
Infere-se da leitura do texto que a prevalência do interesse das minorias oligárquicas, observada desde o período da colonização do Brasil, desfavoreceu o planejamento financeiro da população, de forma geral, visto que esta não detinha poder de decisão sobre assuntos políticos.