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Para chegar a uma definição aproximada de jornalismo e de imprensa, comecemos pelo que não é nem um nem outro. Um mero relato factual não é necessariamente um relato jornalístico. Um documento oficial também não é jornalismo. Se formos minimamente rigorosos, veremos que as atas do Senado romano não eram jornalismo, embora fossem peças informativas e periódicas e apresentassem um relato mais ou menos factual. Não eram jornalismo porque eram manifestações oficiais de uma instituição do poder político. Elas eram discurso oficial — e discurso oficial é o oposto de jornalismo.
As atas do Senado romano de dois mil anos atrás decorriam muito mais da necessidade de divulgação dos atos do Senado e muito menos do direito do povo de saber dos assuntos oficiais, uma vez que, em Roma, fiscalizar o poder não era um direito do cidadão. Desse modo, embora fossem, ao que consta, mais ou menos diárias, não poderiam ser vistas por nós, hoje, como peças jornalísticas.
Muitas outras narrativas, que têm cara de discursos informativos, jornalísticos, também não são jornalismo. Relatos da história da humanidade não são necessariamente jornalísticos. Heródoto, por exemplo, historiador grego, compôs textos repletos de novidades fascinantes, capazes de envolver, de maravilhar o leitor, até hoje. Mas ele não fez jornalismo. E isso não apenas porque seus textos não eram periódicos. Ele não fez jornalismo porque não escreveu para os cidadãos que fiscalizavam o poder. Esse é o ponto central.
A retirada da vírgula empregada logo após “Heródoto” (R.22) prejudicaria a correção gramatical do texto.