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De todos os objetivos conflitantes e somente parcialmente reconciliáveis que podemos buscar, a redução da desigualdade deve vir em primeiro lugar. Em condições de desigualdade endêmica, todas as outras metas tornam-se mais difíceis de atingir. Seja em Nova Déli, seja em Detroit, os pobres e os permanentemente prejudicados não podem contar com a justiça. Não têm tratamento médico garantido; suas vidas, portanto, são reduzidas em duração e potencial. Eles não conseguem boa instrução e, sem ela, perdem a esperança de um emprego minimamente seguro — e de participarem da cultura e da civilização de sua sociedade. Nesse sentido, acesso desigual a recursos de qualquer tipo — dos direitos humanos à água — é o ponto de partida de qualquer crítica progressista verdadeira do mundo. Contudo, a desigualdade não é apenas um problema técnico. Ela ilustra e exacerba a perda da coesão social: a ideia de morar em condomínios fechados cujo principal propósito é afastar outras pessoas (menos afortunadas que nós) e restringir nossos privilégios a nós e a nossas famílias tornou-se a patologia da época e a maior ameaça à saúde de qualquer democracia. Se permanecermos grotescamente desiguais, talvez percamos todo o senso de fraternidade. E a fraternidade, apesar de toda a sua fatuidade enquanto objetivo político, é uma condição necessária para a própria política. Inculcar senso de propósito comum e mútua dependência há muito é considerado o ponto central de qualquer comunidade. Agir em conjunto por um objetivo comum gera uma satisfação enorme, dos esportes amadores aos exércitos profissionais. Nesse sentido, sempre se soube que a desigualdade não é apenas um incômodo moral: é ineficiente.
Nos trechos “a desigualdade não é apenas um problema técnico” (R.14-15) e “a desigualdade não é apenas um incômodo moral” (R.29), o paralelismo de estruturas constitui caso de coesão recorrencial, uma vez que há progressão do fluxo informacional.