///
Não apenas no plano estrito da biologia, podemos corrigir Charles Darwin. A lei de competição e sobrevivência dos mais aptos parecia, à época, tão correta, era um avanço tão grande com relação ao criacionismo, que escondeu um fator decisivo da humanização: a solidariedade entre os indivíduos humanos. Não é com os animais predadores que o homem deve ser comparado — embora isso agrade em especial aos roteiristas da televisão de massa, que o tomam como feixe de instintos elementares — mas, em primeiro lugar, com os animais que vivem socialmente, isto é, em grupo (rebanho, manada etc.). Entre estes, a luta pela sobrevivência contra o mundo exterior altera a luta pela existência: os mais fracos recebem proteção dos mais fortes. A luta pela existência, em nosso caso, é a luta pela coexistência. Autossacrifício, bravura, devoção, disciplina, altruísmo, ajuda mútua, proteção aos mais fracos é que, na competição com outras, deram vantagem à nossa espécie, e não o contrário. Aquilo que eram hábitos gregários e instintos nos animais sociais que nos precederam se tornou sentimentos morais no homem. Esses sentimentos, mudando de acordo com as condições materiais da espécie, constituem a história humana. O pensamento e a linguagem, que nos orgulham e diferenciam, por exemplo, só puderam desenvolver-se socialmente.
O pronome “o” (R.8) tem como referente “isso” (R.7).