///
O fato de que o homem vê o mundo por meio de sua cultura tem como consequência a propensão do homem a considerar o seu modo de vida como o mais correto e o mais natural. Tal tendência, denominada etnocentrismo, é responsável, em seus casos extremos, pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. O etnocentrismo, de fato, é um fenômeno universal. É comum a crença de que sua própria sociedade é o centro da humanidade, ou mesmo a sua única expressão. A dicotomia “nós e os outros” expressa, em níveis diferentes, essa tendência. Dentro de uma mesma sociedade, a divisão ocorre sob a forma de parentes e não parentes. Os primeiros são melhores por definição e recebem um tratamento diferenciado. A projeção dessa dicotomia para um plano extragrupal resulta nas manifestações nacionalistas e nas formas extremadas de xenofobia. O ponto fundamental da referência não é a humanidade, mas o grupo. Daí a reação, ou pelo menos a estranheza, em relação aos estrangeiros. Comportamentos etnocêntricos resultam também em apreciações negativas dos padrões culturais de povos diferentes. Práticas de outros sistemas culturais são catalogadas como absurdas, deprimentes e imorais.
Na organização textual, o pronome “sua” (R.7 e R.8) em ambas as ocorrências, retoma “etnocentrismo” (R.6).