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A questão da desigualdade, finalmente, está produzindo estudos focados em entender como os abismos sociais afetam a realidade das pessoas — estejam elas no topo ou na base. Dominique Strauss-Kahn, presidente do Fundo Monetário Internacional avançou a discussão ao afirmar que a desigualdade não é apenas um sintoma de distorções econômicas e sociais que, uma vez corrigidas, influenciam beneficamente todo o conjunto. Para ele, a desigualdade, especialmente entre países, “corrompe o tecido social”. Por essa razão, ela precisa ser atacada diretamente. Não se trata apenas de uma mudança de retórica. Strauss-Khan está reverberando outras vozes segundo as quais não é só a pobreza que fere — o que machuca mais o ser humano em todas as suas dimensões é a pobreza próxima da riqueza. Segundo Strauss-Khan: “quanto mais desigual o país, piores são seus indicadores sociais, mais ruinosos seus indicadores de desenvolvimento humano e mais altas suas taxas de insegurança econômica e ansiedade.” O que ele aponta, em consonância com outros estudiosos, é que, quando o abismo social que separa os ricos e os pobres é muito profundo e intransponível, as políticas públicas ficam menos eficientes para mitigar os males sociais normalmente associados apenas à pobreza. Para que todos vivam melhor, inclusive os mais ricos, é ideal que o fosso material a separar as pessoas seja menos profundo.
A partir da expressão “especialmente entre países” (R.9) infere-se que a “desigualdade” (R.8) existe em diferentes níveis.