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Na ciência moderna, a ruptura epistemológica simboliza o salto qualitativo do conhecimento do senso comum para o conhecimento científico; no conhecimento-emancipação, esse salto qualitativo deve ser complementado por um outro, igualmente importante, do conhecimento científico para o conhecimento do senso comum. A ciência moderna ensinou-nos a rejeitar o senso comum conservador, o que em si é positivo, mas insuficiente. Para o conhecimento-emancipação, esse conhecimento é experienciado como uma carência, a falta de um novo senso comum emancipatório. O conhecimento-emancipação só se constitui como tal na medida em que se converte em senso comum. Só assim será uma ciência transparente que fará justiça ao desejo de Nietzsche quando diz que “todo o comércio entre os homens visa que cada um possa ler na alma do outro, sendo a linguagem comum a expressão sonora dessa alma comum”. O conhecimento-emancipação, ao tornar-se senso comum, não despreza o conhecimento que produz tecnologia, mas entende que tal como o conhecimento deve traduzir-se em autoconhecimento, o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria de vida.
O trecho de Nietzsche, citado nas linhas de 14 a 16, constitui uma sequência descritiva inserida na argumentação do texto.