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O que salvou a décima sexta conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, concluída no balneário mexicano de Cancún, foi o fracasso da reunião anterior, em Copenhague, há um ano. Da COP-15, conforme a terminologia oficial, esperava-se que os quase 200 países participantes — a começar dos que mais lançam na atmosfera dióxido de carbono (CO2) e outras substâncias causadoras do aquecimento global, como os Estados Unidos da América (EUA) e a China — enfim se comprometessem com metas obrigatórias de redução dos gases que provocam o efeito estufa. Para que o aumento da temperatura terrestre não ultrapasse o limite considerado manejável de 2 ºC no fim do século, os cientistas convencionaram que o ponto de partida seria diminuir em 9 milhões de toneladas de CO2 o volume de emissões previsto para 2020. Mas o diálogo de surdos entre as potências industrializadas e as economias emergentes sobre o que deveria tocar a cada qual para se chegar a esse objetivo conduziu Copenhague a um fiasco desalentador. O desastre colocou em xeque o próprio princípio da ação conjunta da comunidade internacional, sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU), para o combate à degradação do clima. Cancún serviu para dar uma sobrevida ao processo. Dali não saiu nenhuma decisão com resultados palpáveis para a contenção das emissões, tampouco os grandes poluidores mudaram de atitude diante do problema global pelo qual são os principais responsáveis. Os EUA, pior ainda, retrocederam. No entanto, notadamente graças à chanceler mexicana Patricia Espinosa, presidente da COP-16, a conferência acabou aprovando um “pacote de intenções” — os Acordos de Cancún —, cuja principal virtude é a tentativa de romper a inércia de Copenhague, restabelecendo, assim, a confiança na abordagem multilateral da crise climática.
Mantêm-se a correção gramatical do período e as informações originalmente veiculadas no texto se a expressão “a égide” (R.20) for substituída por qualquer uma das seguintes: o apoio, a sustentação.