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O profissional da área jurídica é, entre todos, aquele que mais utiliza a palavra como seu instrumento. E ela deve ser, dentro de um texto, necessária e suficiente. É a palavra que instaura o direito e o torna específico; é a palavra que solicita, é a palavra que concede ou nega. Tudo se resolve pela palavra e com a palavra. Compete, pois, que ela seja a justa medida de nossas ideias e de nossa vontade. Estamos habituados a escutá-la em todo seu fulgor no tribunal do júri, mas é no quotidiano do foro que ela assume sua função mais precisa, que é a palavra escrita. Verba volant, scripta manent, isto é, se a palavra na sua forma oral é efêmera, é na sua expressão escrita que ela perpassará os anos e as gerações. Veja-se o rico acervo das leis e das doutrinas romanas: chegaram até nós pelo milagre da forma reduzida a texto.
No trecho “Estamos habituados (...) palavra escrita” (R.7-10), o autor cria uma oposição entre a linguagem usada no júri e a linguagem do quotidiano forense: aquela, embora mais intensa que esta, pode pecar pelo exagero e pela imprecisão.