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Estereótipos não são, necessariamente, étnicos. É bom lembrar que, basicamente, o estereótipo é uma camisa de força, uma forma de controle social. Pode, por isso, aplicar-se a classes sociais em uma comunidade nacional, não importando se essas classes estão definidas etnicamente. Na verdade, a definição de estereótipo como noção ligada a questões étnicas serve apenas para reforçar e justificar preconceitos. Por exemplo, na Inglaterra, o estereótipo do elemento oriundo da classe operária que enriquece tem suas raízes no preconceito social existente na burguesia inglesa, enquanto, no Brasil, o estereótipo do novo-rico pode ser aplicado como uma expressão de preconceito social e racial, um reforçando o outro na mentalidade da burguesia brasileira. Isso tudo não altera o fato de que, seja quem for a vítima e seja qual for o motivo, os estereótipos congelam a personalidade do receptor e apagam sua individualidade, dotando-o com características que se adaptam ao ponto de vista a priori do percebedor em relação à classe social ou étnica, ou, ainda, à categoria sexual de sua vítima.
O ser estereotipado é, assim, a corporificação física de um mito baseado, imediatamente, na visão que o percebedor tem do papel sociocultural de seu receptor e do seu próprio. Mais precisamente, o mito deve ser visto no contexto de uma dialética na qual o receptor corporifica uma negação do percebedor e, portanto, uma negação de padrões socioculturais aceitáveis. Em lugar nenhum tal fato é mais aparente do que na situação de colonialismo, do qual a escravatura africana no Novo Mundo foi somente uma variante.
Depreende-se do texto que o estereótipo resulta da forma pela qual o sujeito percebe o outro. Assim, conclui-se que a formação de estereótipos decorre da observação objetiva da realidade social em que esses sujeitos estão inseridos.