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As tradições éticas do mundo pré-moderno concentravam-se nas qualidades do caráter responsáveis por uma vida boa e feliz — as virtudes. A natureza exata dessas virtudes era uma questão aberta à discussão. Os antigos gregos identificaram a coragem, a temperança, a prudência e a justiça. Os cristãos acrescentaram a fé, a esperança e a caridade à lista, e rebaixaram o orgulho — que para os pagãos era uma virtude — a um vício. Outras virtudes foram exaltadas em caráter mais temporário. A Renascença enaltecia a intrepidez; os puritanos, a parcimônia e a labuta. O Oriente tem as suas próprias tradições. Confúcio enfatizava a devoção filial, Lao-Tsé, a espontaneidade. Mas todos concordavam que as virtudes — algumas virtudes — devem ser o cerne da vida moral.
A ética das virtudes injetou uma vida nova na filosofia da moral. Ela salvou essa filosofia da aridez e colocou-a em contato com a teologia, a literatura e a história. Mas a influência da ética das virtudes no chamado "mundo real" tem sido nula. Nessa área, se houve movimento, foi na direção oposta, com diretrizes e metas engolindo aquilo que no passado era o reino da decência e do senso comum.
As vírgulas usadas em "Os antigos gregos identificaram a coragem, a temperança, a prudência e a justiça" (l.4-5) justapõem elementos de mesma função sintática, ao passo que a vírgula usada em "A Renascença enaltecia a intrepidez; os puritanos, a parcimônia e a labuta" (l.9-10) justapõe elementos com funções sintáticas distintas.