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É preciso partir da vida. Mas não vida em geral, e sim da vida hoje, no contexto contemporâneo, frente a duas tendências contrapostas que nos obrigam a repensar esse termo tão antigo e a cada dia mais invocado. A primeira dessas tendências pode ser formulada como segue: o poder tomou de assalto a vida. Isto é, o poder penetrou todas as esferas da existência, e as mobilizou, e as pôs para trabalhar em proveito próprio. Desde os genes, o corpo, a afetividade, o psiquismo, até a inteligência, a imaginação, a criatividade, tudo isso foi violado e invadido, imobilizado e colonizado, quando não diretamente expropriado pelos poderes. Os poderes operam de maneira imanente — não mais de fora nem de cima, mas como que por dentro, incorporando, integralizando, monitorando, investindo de maneira antecipatória até mesmo os possíveis que se vão engendrando, colonizando o futuro. É onde intervém o segundo eixo que eu gostaria de evocar. Resumo este eixo da seguinte maneira: quando parece que “está tudo dominado”, no extremo da linha se insinua uma reviravolta que ressignifica a própria dominação. Aquilo que parecia submetido, subsumido, controlado, dominado, “a vida”, revela no processo mesmo de expropriação sua positividade indomável e primeira. As forças vivas presentes na rede social deixam assim de ser reservas passivas à mercê de um monstro insaciável, para se tornarem positividade imanente e expansiva que os poderes se esforçam em regular, modular ou controlar.
A coerência e a correção gramatical do texto serão preservadas caso se proceda