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Na cultura ocidental, a sociedade, em todos os níveis, é sempre pensada com base nas relações de governo, ou seja, sob o pressuposto de um corpo social dividido entre uma elite que governa e uma massa que é governada. Desde a Grécia Clássica, o ocidente sempre tomou a divisão social entre governantes e governados como essência da sociedade. A divisão e a desigualdade fariam parte da estrutura ontológica de qualquer sociedade e a dominação política lhe seria consubstancial. Era assim que os europeus que aqui passaram ou se estabeleceram, nos séculos XVI, XVII e XVIII, significavam a sociedade. Para eles, a ausência de uma máquina governamental e mesmo a ausência de um princípio de governo nas sociedades indígenas despontavam como uma diferença notável em relação ao que concebiam como sociedade organizada. Como interpretar a alteridade organizacional que se apresentava diante de olhos obnubilados pelo princípio da divisão? Ou aceitavam que a divisão não era inerente à sociedade e passavam a desconfiar de suas lentes e a desnaturalizar seu ponto de vista, ou decidiam que um agrupamento indiviso, com chefe que não manda e povo que não obedece, não pode ser uma sociedade. Logicamente, foi a segunda interpretação que vingou.
Assinale a opção correta a respeito das estruturas linguísticas e da organização das ideias do texto.