///
Feijão
Quem paga o salário da poeta?
A palavra?
De mãos atadas não
Custeia
Conta
Luz
Água
Aluguel da casa
A comida da menina.
Poesia não pode ser vendida.
Palavra escrita não sentida
Não faz sentido nenhum,
Nem aqui nem em lugar algum.
Quem teima em vender poesia
Corre risco de sete anos de azar,
Paralisia nos dedos da língua
Da mente seca de inspiração
Palavra não vai mais brotar
Na terra da sensibilidade
Insensível a olhos cegos.
Vai comer de quê?
Morar o quê?
De palavra?
Vou viver poesia!
Meimei Bastos. Um verso e Mei. Rio de Janeiro: Malê Edições, 2017, p. 18.
O poema apresentado revela o desejo de continuar a escrever mesmo que o retorno financeiro do trabalho da escrita não seja satisfatório. Essa revelação encontra-se principalmente no verso