///
Procurou um lugar pra sentar e prendeu o cabelo. Suspirou e olhou a sala rapidamente. Nada chamava sua atenção em particular. Via sem de fato enxergar qualquer coisa. Ouvia, sem ouvir, o falar pausado do professor. Não era descaso. Era outro caso. Era a vida dura e corrida fora dos corredores mal-iluminados da faculdade. Os textos são muitos, sim, mas lendo na condução, ou na fila do mercado, aí meio que dá. Em pé mesmo. Um misto de esporte e perícia. Talento para sobreviver. Necessidade de emergir. O trabalho, a família, a casa, os textos, as aulas, os trabalhos, as provas, os prazos, a chamada. Chamada. “Você tem 15 minutos de tolerância.” Tsc. Deveria ser de intolerância, isso sim. O trânsito depois do trabalho, o percurso até a sala de aula, o lanche barato engolido com o café já cozido entre uma aula e outra que vai ficar no lugar do jantar. Outra vez. Aquele “Universidade pública é pra quem não trabalha” que a professora cuspiu ainda ecoando na cabeça... Mesmo depois de duas semanas. O peso da desigualdade castigando os ombros.
Ao utilizar a temática da rotina de uma estudante, a autora também propõe: