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A questão é a qualidade do tratamento de água: geosmina é a ponta do iceberg
Mal começava o mês de janeiro e cerca de nove milhões de pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro passaram a sentir mau cheiro e gosto de terra na água que saía das torneiras de suas casas.
Ainda no dia 7 de janeiro 2020, a Cedae publicava a primeira nota informando que técnicos da empresa detectaram a presença da substância geosmina em amostras de água. O texto informava ainda que a substância orgânica não causava nenhum risco à saúde e que a água poderia ser consumida. No entanto, parte da população passou a relatar fortes cólicas e náuseas, e um grande contingente de pessoas percebeu gosto e cheiro diferentes: quem pôde começou a recorrer à compra de água mineral engarrafada. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou, por meio de nota enviada ao Portal EPSJV, que não há como comprovar relação dos sintomas com a presença da substância na água.
Uma semana depois, no dia 13, uma força-tarefa composta pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, por meio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema/MPRJ), Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Fiocruz, UERJ e vigilância sanitária do município e do estado e representantes do Comitê de Bacia do Guandu também fizeram uma vistoria na ETA Guandu. Na ocasião, água da barragem principal de captação do Rio Guandu, do Reservatório Marapicu e dos pontos de coleta oficiais dos laboratórios da Cedae foi coletada. O relatório produzido foi entregue tanto ao Ministério Público (MPRJ), quanto à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Somamos forças para que pudéssemos dar respostas à população e cobrar a Cedae que estava sendo ágil nem transparente em todo esse processo”, informa a promotora Gisela Pequeno do MPRJ.
No dia 15, 24 horas depois de a empresa publicar um laudo de parâmetros de análise da água, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicou uma nota contradizendo a avaliação da Cedae em relação à presença da geosmina na água. “Diferentemente do que havia sido anunciado pela Cedae, os laudos divulgados até a manhã do dia 15/1/2020 não fazem referência à identificação da presença de geosmina, corroborando assim a permanência da incerteza relacionada à qualidade da água distribuída para a população, que continua recebendo água com turbidez e odor em alguns pontos da região metropolitana do RJ”, dizia o texto.
Para o professor-pesquisador da EPSJV/Fiocruz Alexandre Pessoa, ficou evidente a necessidade de investimento em operação, manutenção e conservação das estruturas da estação de tratamento. “A visita foi importante, pois possibilitou o diálogo com os técnicos da Cedae com relação ao controle operacional da estação e à entrada em operação do plano de contingência para o abastecimento de água do sistema Guandu. A partir desse encontro, percebemos inconsistências na execução desse plano”, explica e acrescenta: “É urgente a necessidade de revisão do plano de contingência, com a inclusão de protocolo específico para a floração de algas e cianobactérias.”
Viviane Tavares (Extraído e adaptado de: https://www.ecodebate.com.br/)
A discussão central desenvolvida no texto se baseia na seguinte questão: