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Julia Baldacci Orlovsky brinca de boneca e faz roupinhas como toda criança de 5 anos fazia na época de sua mãe e continua fazendo ainda hoje. Com uma diferença: ela desenha no computador os vestidos, que depois são impressos em tecido. O fim da velha brincadeira de casinha? Não, sinal dos tempos. A nova geração, nascida sob o signo da revolução da informática, sabe manejar computadores com a mesma agilidade com que suas avós manejavam dedal, agulha e linha. Muito diferente de seus pais, que só foram conhecer os recursos do micro quando adultos, a maior parte no ambiente de trabalho.
A geração que amava os Beatles e os Rolling Stones tem pesadelos diários com os manuais de instrução dos aparelhos eletrônicos. Seus filhos nem precisam se valer deles. Leonardo Sá Freire de Oliveira, de 9 anos, aprendeu a ligar o aparelho de som aos 2 anos para apreciar seus CDs prediletos. Depois, conheceu o videocassete, o videogame e os computadores. Aos 4, decepcionou-se com a aula de informática da pré-escola que frequentava porque os micros eram antiquados. “Não tem Windows? Então não quero”, declarou à professora atônita na época. Os pedagogos reagem desconcertados ao fenômeno que ameaça fugir de seu controle. Como lidar com crianças assim?
André Matias Ribeiro, de 4 anos, não sabe ler nem escrever, mas desde os 3 mexe no micro. Para ele, o mouse é mais fácil de movimentar do que a caneta. Ana Luiza Pires da Cunha, de 10, desmonta e monta aparelhos eletrônicos desde pequena. Para crianças como essas, a vida de hoje sem controles remotos nem computadores equivaleria a uma idade das trevas. Todas têm extrema facilidade em lidar com novas tecnologias. Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostraram que 70% das crianças daquele país usam computador em casa ou na escola. Algumas aprenderam com 18 meses a manusear o mouse. Em 1994, 50% dos jovens consideravam “in” acessar a internet. Essa porcentagem pulou para 88% no ano passado.
E no Brasil? Pesquisa exclusiva encomendada por Época ao Instituo Vox Populi, realizada em cinco capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte) confirma que os brasileiros estão se digitalizando. Crianças como as paulistas Júlia e Ana Luiza, o baiano André e o carioca Leonardo não são exceções. A maioria dos jovens de sua geração sabe usar aparelhos como computador, videocassete, micro-ondas e radiorrelógio. Muitos dos que têm computador passam longas horas rodando programas, jogos ou acessando a internet. Quando ligados à rede mundial, navegam pelos sites, mas também não perdem a oportunidade de frequentar salas de bate-papo.
(Heitor Shimizu e Frances Jones. Época, São Paulo. Globo, 19/10/1998. Fragmento)
Assinale a opção em que o referente do pronome destacado está corretamente identificado.