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Leia o texto para responder às questões de 1 a 3.
É um adjunto, e daí?
Na prática escolar típica, tanto os ensinamentos quanto os exercícios e as avaliações param, frequentemente, na identificação de objetos e funções. É comum que se solicite a alunos ou vestibulandos que respondam se tal palavra é um adjetivo ou um substantivo, se um certo “que” é uma conjunção integrante ou um pronome etc. A minha pergunta, que tenho feito a professores em palestras, e que repito aqui, é a seguinte: depois que você achou um advérbio, o que é que você faz com ele? Pergunto sempre isso porque acho que o importante não é identificar, embora este possa ser o primeiro e necessário passo para depois poder dar outros. Mas, repito, em geral, para-se na identificação. Eu diria que o mais importante não é identificar, mas tentar explicitar o que é que tal palavra ou locução está fazendo aí. Especialmente, que importância tem para significação. Com quais outras palavras ou expressões está relacionada? Se mudasse de lugar, provocaria uma mudança de sentido?
Há uma concepção de linguagem que imagina que ela é o espelho do pensamento, e o pensamento é sempre claro e ordenado. Há uma outra que imagina que a linguagem é uma atividade aberta a equívocos, que manifesta eventualmente um conteúdo não controlado, não “pensado”. É essa concepção que pode explicar melhor, entre outras coisas, humor na linguagem, como o que está presente na seguinte piada:
Pedro diz ao seu amigo: – Estou com vontade de ter uma casa de praia de novo.
O amigo, bastante surpreso com a informação, diz: – O quê? Você já teve uma casa de praia?
E Pedro responde: – Não. Mas já tive vontade antes.
O efeito cômico da piada é construído a partir da