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Que tempos são esses? Os dias estão sombrios. Em todo o planeta, o ódio tem mostrado sua face mais intransigente. E ela parece com a nossa! Isso é o que, de fato, assusta. O poder da morte e da destruição ao alcance da nossa mão. A um click, a uma nota assinada por algum poderoso mandatário... No centro de tudo, a Palavra. Tenho visto brigas completamente desnecessárias no trânsito, homens e mulheres que dão espaço a uma verdadeira entidade guerreira graças a uma ultrapassagem indevida ou a uma simples buzinada. Jovens e adolescentes que se agridem pelas redes sociais. Políticos que usam o verbo para separar nações, apontar o dedo para cidadãos, enaltecer guerras. No centro de tudo, a Palavra. Diante dos temores e terrores da nossa época – e de todas as épocas – é a palavra que define o que somos. Na era da disseminação fácil, rápida e aleatória, notícias falsas podem produzir o andamento da história. Ou o contrário dela. Defender uma ideia, mesmo que levemente, pode determinar sua exclusão de um grupo social ou da própria família. No centro de tudo, a Palavra. A vida está sombria. E aquele que acha graça em uma brincadeira de criança, ou se delicia com um inocente sorvete, é visto com reservas, taxado de desvairado ou desvairada, com certeza falta-lhe um parafuso. No centro de tudo, a Palavra. Dos livros sagrados, da interpretação do que está escrito nessas obras, sempre em nome de Deus se formam milícias, exércitos, alguém em uma mesquita e atira em uma centena de pessoas. Não sem antes deixar claro em vídeo o que vai em sua mente. Ao vivo. Ou um jovem escreve uma mensagem enigmática e assassina seus antes colegas da sua antiga escola. Pela dor que as palavras produzem em sua alma. No centro de tudo, a Palavra. Os corações estão sombrios. E é preciso urgentemente que se dê uma nova ordem à ordem social. Que se escancarem os risos, as canções, as histórias encantadas, as lendas... Que venham as fadas, os duendes, elfos, bruxos e bruxas nos ensinarem, novamente, a razão da vida. E que isso não seja um pecado. No centro de tudo, a Palavra. Mas, como disse o grande escritor e dramaturgo Bertold Brecht, que fez da indignação com as sombras sua bandeira: “Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime?”
Considerando o trecho, a seguir, que finaliza o texto acima, avalie como verdadeiras(V) ou falsas(F) as proposições: “[...] Que se escancarem os risos, as canções, as histórias encantadas, as lendas... Que venham as fadas, os duendes, elfos, bruxos e bruxas nos ensinarem, novamente, a razão da vida. E que isso não seja um pecado. Mas, como disse o grande escritor e dramaturgo Bertold Brecht, que fez da indignação com as sombras sua bandeira: ‘Que tempos são esses, quando falar sobre flores é quase um crime?’”
( ) O emprego do conector mas serve para introduzir uma ressalva, em tom irônico, dado que a autora, pressupondo o estranhamento quanto ao conteúdo das informações precedentes, já se adianta admitindo a dificuldade de mudança em tempos de tantos desencantos.
( ) Todas as frases introduzidas pelo item que expressam o desejo da autora de uma mudança no comportamento da sociedade; trata se de frases exclamativas, ou desiderativas, constituindo-se, pois, como marcas de subjetividade na construção do texto.
( ) Ao encerrar o texto com a indagação feita pelo dramaturgo Bertold Brecht, a autora demonstra conformação com a realidade descrita e, assim, nega a possibilidade de mudança.
A sequência que responde CORRETAMENTE à questão é: