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Na Psicologia social, há uma definição de comportamento conhecida como “licença moral”. É o consentimento que autoriza as pessoas que praticam uma boa ação a compensá-la com o avesso. Dito de outro modo: quando alguém está certo de ter feito o bem, com compaixão e generosidade, pode sentir-se liberado para fazer o mal, com posturas egoístas, preconceituosas, antiéticas e – que surpresa! – até corruptas. No mundo corporativo, em que se aplaudem as companhias que cultivam valores morais e éticos, com doações e responsabilidade social, os desvios costumam cair como baldes de água fria e decepção – e estão longe de representar uma raridade. “No Brasil, muitas das empresas que são investigadas em esquemas de corrupção têm o seu instituto e a sua fundação com ações filantrópicas, mas ao mesmo tempo estão envolvidas em conluio setorial, cartel implícito ou formas de ganhar recursos do BNDES”, diz Sérgio Lazzarini, professor titular do Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia (Insper), em São Paulo. [...]
Esse fenômeno acaba de receber amparo acadêmico. Um trabalho realizado por Jonh List e Fatemeh Momeni, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, põe em xeque a tese da benevolência como uma postura inquebrantável. [...] A explicação para a postura eticamente questionável estaria associada aos mecanismos de funcionamento da mente. “O comportamento pró-social é motivado, em parte, por razões de autoimagem: atuamos assim para sinalizar a nós mesmos que somos pessoas boas e morais, explicou a coautora do trabalho, Fatemeh Momeni.
Abaixo, estão expostos o recorte de uma matéria exibida na seção “comportamento” de Veja, 07/03/18, e, na sequência, algumas proposições que sintetizam o seu conteúdo.
I- “Licença moral” é um sentimento de permissividade para a prática de delitos – em menor ou maior grau de gravidade – considerados justificáveis em decorrência de se ter agido, anteriormente, de forma generosa, pressupondo que uma boa ação compensaria uma má ação futura.
II- Todas as empresas que têm como princípio o cultivo de valores éticos e morais adotam tal conduta para se proteger de possíveis acusações de desvios, fraudes, ou seja, do envolvimento em atividades ilícitas, corruptas.
III- Uma fonte de explicação, segundo estudos realizados, para a postura não virtuosa da “Licença moral” seria o funcionamento da mente, estando associado à noção de autoimagem. Nesse caso, uma boa ação promove o sentimento de bondade, solidariedade, e essa boa imagem de si próprio autorizaria o indivíduo a agir fora da ética quando lhe conviesse.
Só tem correspondência com o texto, o que se afirma em