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Baleia
1 A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-lhe em vários pontos, as
2 costelas avultavam num fundo róseo, onde manchas escuras supuravam e sangravam, cobertas de
3 moscas. As chagas da boca e a inchação dos lábios dificultavam-lhe a comida e a bebida.
4 Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio de hidrofobia e amarrara-lhe
5 no pescoço um rosário de sabugos de milho queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-
6 se nas estacas do curral ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as
7 orelhas murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas, semelhante a
8 uma cauda de cascavel.
9 Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira, lixou-a, limpou-a com
10 o saca-trapo e fez menção de carregá-la bem para a cachorra não sofrer muito.
11 Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados, que adivinhavam
12 desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:
13 - Vão bulir com a Baleia?
14 Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano afligiam-nos, davam-lhes a
15 suspeita de que Baleia corria perigo.
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002. p. 85. (Fragmento)
Em relação à cachorra Baleia, pode-se afirmar: I - Ela era considerada “parte integrante” da família, vista como uma pessoa a quem eles amavam e não queriam perder.
II- Por ser tão importante para a família, esta preferia vê-la morrer aos poucos a sacrificá-la.
III- Primeiro Fabiano tentou ajudar a cachorra, depois resolveu acabar com a dor dela.
IV - O nome Baleia, no título, por ser nome de animal, escrito com letra maiúscula, está em desacordo com a norma culta da língua.
Está(ão) CORRETA(S), apenas: