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Vozes da Seca (Luiz Gonzaga)
Seu doutô os nordestino
Têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista
Nessa seca do sertão.
Mas doutô uma esmola
A um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha
Ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo
Proteção a vosmicê
Home pur nóis escuido
Para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado
Temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade
Do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo,
Encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom,
Não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola,
Que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru
Sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim
Salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim,
Que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca,
Vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distinto mercê
Tem nas vossa mãos.
Atentar às informações coletadas dos textos: I- Embora de estruturas distintas, os textos acima (I e II) tratam de temáticas semelhantes: a seca e suas diversas causas e efeitos.
II- Por apresentar uma linguagem essencialmente matuta, e por isso desqualificadora, o texto I não pode ser levado a sério como denunciador, por exemplo, da corrupção e da chamada “indústria da seca” e seus efeitos.
III- Desemprego, fome e falta de infraestrutura de açudagem, por exemplo, são dramas denunciados no texto I.
IV- A expressão “dutos de corrupção”, citada no texto II, é apenas denotativa.
Está correto o que se afirma apenas em: