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Bons hábitos são tudo. Creio nisso como na luz do dia e na escuridão da noite. Por isso cumpro rigorosamente a cerimônia diária de higiene que, estou certa, me livrou, me livra e livrará de todos os males.
É a primeira coisa que faço quando acordo de manhã. Também me apresso a fazê-la assim que chego em casa, carregada de pacotes, afoita e sem ar, depois de subir quatro lances de escada.
Jogo tudo que me ocupa as mãos, o ombro, os braços, em cima do móvel da entrada e corro pra me proteger do mundo que trago comigo quando venho da rua.
Sinto um prazer difuso no cheiro de verbena que sobe da pia e inunda minhas narinas. Repito sempre que este é um luxo, mas como todo bom luxo, ele me é tão necessário! E desisto de comprar um produto mais barato para meu ritual de higiene.
Sou adepta dos prazeres. Com abandonar algo que me faz feliz? Não abandono, é claro, e gasto uma fortuna no sabonete líquido importado pra sentir aquele cheiro do sul da França preenchendo minha vida paulistana e me livrando, com elegância, de todos os germes, amém.
Sobre o texto, analise as afirmativas.
I - Quem narra o texto é também a personagem. Trata-se de uma mulher que vive na cidade de São Paulo e mora no quarto andar de um prédio.
II - O ritual de higiene da personagem acontece diariamente, até mais de uma vez ao dia, em que é usado um produto estrangeiro.
III - A luz do dia e a escuridão da noite servem de base para as crenças da personagem.
IV - Há mais coisas que são jogadas sobre o móvel da entrada do apartamento, além das compras, quando a personagem chega da rua.
Estão corretas as afirmativas