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Existe um falar certo e um falar errado?
De fato, não há uma oposição categórica entre fala popular e fala culta, ocorrendo em muitos casos um compartilhamento de propriedades. Em certos casos, a preferência culta exclui fortemente a preferência popular; em situações informais, diminui a distância entre essas variedades, e o falante culto pode aproximar-se bastante da execução popular, ainda que não em todos os casos.
As variedades populares flutuam de acordo com a região geográfica, mas as variedades cultas são um pouco mais homogêneas, sobretudo em sua forma escrita. Em conclusão, o que temos são variedades linguísticas de uma mesma língua, não duas línguas diferentes.
Como todo mundo está cansado de saber, o modo certo não deriva de nada intrínseco ao português. Não há formas ou construções intrinsecamente erradas, nem intrinsecamente certas, com exceção da grafia das palavras, que é a única matéria linguística sujeita a uma legislação explícita. Assim, o certo ou errado deriva apenas de uma contingência social. Como em todas as comunidades sempre se atribui a determinada classe um prestígio, uma ascendência sobre as demais classes que compõem essa comunidade, a classe de prestígio atua na língua. Mas não atua apenas na língua. Ela dita igualmente as normas de comportamento, o estilo da roupa, o gosto por certo tipo de música. Entra nessa lista a escolha de determinadas variedades linguísticas, dentre aquelas que estão à disposição dos falantes.
De acordo com o Texto 3, “a grafia das palavras é a única matéria linguística sujeita a uma legislação explícita”. A “legislação” vigente recomenda que:
1) palavras como “cajú” e “caquí” sejam grafadas com acento agudo.
2) não sejam acentuadas palavras com dupla vogal, como “voo” e “leem”.
3) não sejam grafadas com trema palavras como “frequência”, “linguiça” e “arguição”.
4) monossílabos tônicos como “cá”, “nó” e “fé” sejam acentuados.
Estão corretas: