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[...] Winston tinha a sensação de estar vagando pelas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso
em que o monstro era ele próprio. Estava sozinho. O passado estava morto, o futuro era inimaginável. Que certeza podia
ter de que naquele momento uma criatura humana, uma que fosse, estivesse do lado dele? E como saber se o domínio do
Partido não seria para sempre? À guisa de resposta, vieram-lhe à cabeça os três slogans estampados na fachada branca do
Ministério da Verdade:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA
Tirou do bolso uma moeda de vinte e cinco centavos. Ali também, em letras minúsculas e precisas, estavam
inscritos os mesmos slogans, e do outro lado da moeda via-se a cabeça do Grande Irmão. Até na moeda os olhos
perseguiam a pessoa. Nas moedas, nos selos, nas capas dos livros, em bandeiras, em cartazes e nas embalagens dos maços
de cigarro — em toda parte. Sempre aqueles olhos observando a pessoa e a voz a envolvê-la. Dormindo ou acordada,
trabalhando ou comendo, dentro ou fora de casa, no banho ou na cama — não havia saída. Com exceção dos poucos
centímetros que cada um possuía dentro do crânio, ninguém tinha nada de seu.
Quanto ao uso dos diferentes elementos gramaticais, a fim de se garantir tanto a coesão como a coerência no texto, é correto afirmar que