///
Recordando a antiga maldição chinesa, pode-se dizer que vivemos realmente em tempos interessantes. Um dos aspectos mais interessante destes tempos é, como tem sido exaustivamente observado, sua aceleração descontrolada. O tempo está fora do eixo, e andando cada vez mais rápido. “As coisas têm mudado tão rápido que se tornou difícil acompanhá-las”, constatava, poucos anos atrás, Bruno Latour (2013a: 126). Ele se referia ao estado do conhecimento científico a respeito do problema; mas, de algum tempo para cá, é o próprio tempo, como dimensão de manifestação da mudança (o tempo enquanto “número do movimento”, para falar como Aristóteles), que parece estar, não apenas se acelerando, mas mudando qualitativamente “o tempo todo”. Virtualmente tudo o que pode ser dito sobre a crise climática se torna por definição, anacrônico, defasado; e tudo o que deve ser feito a respeito disso é necessariamente muito pouco, e tarde demais.
NÃO é sinônimo de anacrônico: