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O texto a seguir é referência para as questões 06 a 10.
As regiões do cérebro não funcionam isoladamente. Elas agem em sincronia, às vezes formando padrões que se repetem em determinadas situações. Em exames de ressonância magnética funcional, é possível observar quais regiões da massa cinzenta estão mais ativas e identificar as combinações que se repetem. Esses padrões cerebrais são denominados redes neurais.
Até 30 anos atrás, acreditava-se que o cérebro em descanso não seria lá muito relevante. Os estudos de ressonância magnética focavam em analisar as funções cerebrais durante a realização de alguma tarefa. Acontece que, no intervalo entre uma atividade e outra, enquanto o paciente estava sozinho com seus próprios pensamentos, um novo padrão começou a aparecer nos exames.
Em outras palavras, certas partes do cérebro eram ativadas bem no momento em que a pessoa estava brisando. Essas regiões cerebrais eram as mesmas que ficavam em baixa durante a realização de atividades conscientes. Tal conjunto recebeu o nome de Rede de Modo Padrão (RMP), já que representaria o “padrão” da mente quando não estamos fazendo nada.
Essa rede é considerada “oposta” à Rede de Atenção Dorsal, responsável por direcionar a atenção para tarefas externas. É que, na de Modo Padrão, a atenção está voltada para o mundinho interno. É quando temos reflexões sobre nós mesmos, planejamos o futuro e lembramos de memórias passadas.
Um estudo de 2010 aponta que passamos metade do dia na rede padrão. Ela aparece principalmente durante atividades tão rotineiras que não exigem atenção externa, como tomar banho, lavar a louça ou pegar o ônibus para o trabalho. Se você sai do chuveiro sem ter certeza se passou o xampu, é porque sua atenção estava voltada para dentro de si.
Não é à toa que ideias geniais ou perguntas instigantes surgem no banho. A psicologia chama isso de efeito de incubação – um processamento inconsciente de pensamentos que pode levar a insights criativos.
Uma das maneiras mais comuns de medir a criatividade em estudos é por meio do teste de usos alternativos. Basicamente, os participantes devem pensar em usos não óbvios para objetos comuns (exemplo: esquentar um tijolo para usá-lo como aquecedor de pés). Pesquisas mostram que pessoas que realizam atividades pouco exigentes antes dos testes têm ideias mais criativas do que aquelas que fizeram tarefas exigentes.
Estudos de imagem também já mostraram que a Rede de Modo Padrão está relacionada à criatividade. É por isso que, às vezes, uma caminhada na rua ajuda mais na resolução de um problema do que ficar batendo a cabeça na frente do computador. Se essa caminhada for preenchida com tempo no celular, no entanto, o cérebro não entra no devaneio característico da RMP. É preciso pensar na morte da bezerra de vez em quando.
“O celular te dá aquele dropzinho de emoção, de dopamina. E esse susto te mantém ali acordado, com a atenção voltada para fora”, diz Dráulio Araújo, pesquisador do Instituto do Cérebro da UFRN. “Você viaja muito pouco quando está no celular. É diferente de um livro, que não tem tanto estímulo e te permite divagar.”
Super Interessante, fevereiro de 2026.
O texto defende a ideia de que: