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A LEITURA COMO CONSTRUÇÃO DO SIGNIFICADO DO TEXTO
(1º§) Algumas perspectivas sobre a formação e a evolução do conhecimento adotam o conceito de esquema cognitivo para explicar como é que organizamos mentalmente as informações que recolhemos da nossa experiência. A metáfora adotada por estas teorias pode servir-nos para percebermos o porquê de os conhecimentos prévios do leitor serem um elemento determinante para o grau de compreensão daquilo que ele lê.
(2º§) De acordo com estas perspectivas (cujas fontes históricas se centram nas obras de Barttlet e Piaget), o conhecimento organiza-se em esquemas cognitivos que nos permitem descrever e explicar o mundo. São os esquemas voltados para aquilo que nos permite reconhecer estímulos, estabelecer conexões entre eles e tomar decisões acerca do que fazer na sua presença.
(3º§) Estes esquemas podem estar adormecidos ou ativados, quer dizer, podemos requisitá-los apenas quando deles necessitamos e para tal basta ir ao grande armazém que é a memória. Este armazém tem uma seção de arquivo (memória de longo prazo) e uma seção ativa (memória de trabalho): identificar objetos, reconhecer problemas, tomar decisões, executar atos, pressupõe trazer da memória de longo prazo para a memória de trabalho todos os conhecimentos relevantes (conectados) para a questão com que nos confrontamos. Cumprida a missão, estes conhecimentos regressam ao arquivo, muitas vezes modificados, devido às novas aquisições derivadas da experiência e da reflexão.
(4º§) Compreender um texto consiste num processo gradual durante o qual o leitor procura uma configuração de esquemas que representem adequadamente cada uma das passagens que vai lendo. Estas passagens sugerem ao leitor interpretações possíveis que vão sendo avaliadas e reavaliadas em função das frases seguintes, até que uma interpretação consistente seja, por fim, encontrada (Rumelhart, 1980).
(5º§) À medida que o leitor lê, são trazidos à consciência (à memória de trabalho) os conhecimentos do repertório de informação do sujeito que são relevantes para entender o que está escrito e para fazer o trabalho de interpretação: construir um significado para o texto. O ato de interpretação corresponde à procura de uma «formulação coerente» do conteúdo do texto, sendo que esta coerência é obtida a partir de correspondências entre dados presentes na mensagem e dados presentes na memória, nos esquemas (Anderson, 1978).
Analise as assertivas com V (Verdadeiro) ou F (Falso):
(__)Coerência é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta nexo e uniformidade, podendo exemplificar com o trecho: "o conhecimento organiza-se em esquemas cognitivos que nos permitem descrever e explicar o mundo".
(__)Semântica é o estudo do significado e de fenômenos gramaticais relacionados a esse tópico, contemplando entre outros: sinônimos, antônimos, homônimos, parônimos, polissemia, exemplificando-a com o trecho do texto: "e para tal basta ir ao grande armazém que é a memória".
(__)Intertextualidade é a relação que se estabelece entre dois ou mais textos por meio de citação, alusão, bricolagem, epígrafe, paráfrase, paródia, pastiche e tradução, conforme temos no texto uma alusão a: "Barttlet e Piaget".
(__)Quando usamos uma palavra no sentido literal, ou seja, de acordo com o significado do dicionário, ela representa a denotação, conforme se exemplifica na quase totalidade do texto. Mas, quando se usa uma palavra no sentido figurado, dizemos que ela é conotativa.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima baixo: