///
Retomo hoje esse tema depois de quase uma geração. E me reporto a um trabalho de Husserl que aparece quase na mesma época. Ele se deixa ali conduzir pelo mesmo conceito de teoria ao qual Horkheimer havia contraposto o conceito de Teoria Crítica. Husserl não trata da crise no interior da ciência, mas sim de sua crise enquanto ciência, pois: “em nossa miséria da vida, esta ciência não nos tem nada a dizer”. Como quase todos os filósofos antes dele, Husserl sem hesitar adota como medida de sua crítica uma ideia de conhecimento que mantém aquela ligação platônica da pura teoria com a práxis da vida. Não é o conteúdo das informações contidas na teoria, mas a formação de um hábito de reflexão e esclarecimento nos próprios teóricos que produz, em uma instância, uma cultura científica. E a geração de uma tal cultura científica parecia ser a meta da marcha do espírito europeu. Husserl, entretanto, vê essa tendência histórica ameaçada depois de 1933. Ele está convencido de que o perigo não se impõe de fora, mas de dentro. Ele atribui a crise ao fato de as ciências mais desenvolvidas, sobretudo a física, terem se distanciado daquilo que verdadeiramente pode ser chamado de teoria. (HABERMAS, J. Técnica e ciência como “ideologia”. São Paulo: Editora UNESP, 2011, p. 179)
Qual é a análise correta dos termos grifados no texto?