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Cientistas descobrem bactéria que come garrafa PET
10/03/2016 - Ciência - Folha de S.Paulo
RICARDO BONALUME NETO
Texto adaptado
Pesquisadores no Japão descobriram uma bactéria que é capaz de comer o plástico PET(sigla para polietileno tereftalato), largamente utilizado em embalagens, especialmente em garrafas. Além do potencial uso para resolver os sérios problemas ambientais causados pelo acúmulo desse plástico na natureza, a pesquisa pode ajudar a entender a evolução natural das bactérias.
A equipe de dez cientistas, liderada por Kohei Oda, do Instituto de Tecnologia de Kyoto, coletou, em uma usina de reciclagem em Osaka, 250 amostras de sedimentos, águas residuais ou solo contaminadas por PET. Eles então fizeram uma triagem para descobrir microrganismos capazes de usar o plástico como uma fonte de carbono para crescimento. Uma das amostras de sedimento, a “número 46”, continha um “consórcio microbiano” – de vários tipos de germes, como bactérias, protozoários, células semelhantes a leveduras – capaz de se fixar em um filme fino de PET e degradá-lo, literalmente esburacando o filme. Usando diluições dessa amostra, foi possível isolar a responsável pelo buraco, a Ideonellasakaiensis – a primeira bactéria sabidamente capaz disso. Os resultados estão na revista “Science”.
A uma temperatura de 30 graus, a bactéria quase terminou de consumir um pedaço de PET em 6 semanas. Ela age de modo bem simples empregando apenas duas enzimas, substâncias orgânicas capazes de acelerar reações químicas, convertendo uma substância, o chamado substrato, em uma outra, o produto. Uma age na superfície do PET, a PETase, e outra termina a “digestão” dentro do micróbio por meio de um ácido que a bactéria captura, conhecido pela sigla MHET. Dentro da bactéria, a MHET hidrolase transforma o ácido em dois subprodutos, que servem de fonte de carbono para seu crescimento.
O PET leva centenas de anos para ser degradado naturalmente. Cerca de 56 milhões de toneladas de PET foram produzidas só em 2013, o que resultou na acumulação de PET em ecossistemas de todo o mundo. Comentando a descoberta na mesma edição da “Science”, o pesquisador Uwe T. Bornscheuer, da Universidade Greifswald, Alemanha, lembra que o PET só entrou em contato com o ambiente há 70 anos, o que mostra uma evolução surpreendentemente rápida de uma bactéria dotada de duas enzimas capazes de fazer uso da nova fonte de carbono. “Exemplos dessa rápida evolução natural são raros”, diz ele. Um estudo patrocinado pelo Fórum Econômico Mundial e publicado neste ano afirma que o uso do material deverá dobrar nos próximos vinte anos. “Assustadores 32% das embalagens de plástico escapam de sistemas de coleta, gerando custos econômicos e o entupimento da infraestrutura urbana, e reduzindo a produtividade de sistemas naturais vitais”, diz o estudo.
Segundo Oda e seus colegas, “por acharem que a capacidade de digerir enzimaticamente o PET estava limitada a algumas espécies de fungos, a biodegradação ainda não era uma estratégia ambiental viável”. A descoberta da bactéria, portanto, abre a possibilidade de uma nova estratégia para lidar com o problema, ainda mais porque ela mostrou atividade mais eficaz do que os poucos fungos conhecidos com ação semelhante.
No trecho do texto: “sérios problemas ambientais causados pelo acúmulo desse plástico na natureza”, a expressão desse plástico refere-se a: I) embalagens.
II) garrafas.
III) PET.
Está(ão) correta(s):